Ele era fadista: nasceu na Madeira, cresceu e envelheceu no Porto e tinha, segundo diziam os relatórios daquele tempo, os olhos de Deus. Depois, nada. Nem sequer a notícia da morte, que toda a família, sem o saber, esperava. Ninguém sabia o que ele andara a fazer durante os dez anos que passou na Tailândia, nem sequer se foi mesmo na Tailândia que os passou. Perdeu-se — disse Jorge, o irmão —, perdeu-se nesta loucura a que chamava liberdade.
Quanto a mim, nunca lhe vi os olhos; não posso julgar e nem quero garantir que tenham algo de divino. Nem sequer sei ao certo se existe um deus, como nós o imaginamos; e talvez chamem divinais aos olhos que pertencem apenas a um drogado.